Os primeiros anos de vida, o cérebro humano ainda está em processo de maturação, e isso interfere diretamente na forma como as memórias são criadas e armazenadas. As estruturas responsáveis por registrar lembranças duradouras ainda não funcionam plenamente, o que dificulta que experiências da primeira infância sejam preservadas ao longo do tempo.
Outro fator importante é que a criança vive muito no presente. Sem domínio da linguagem e sem capacidade de organizar os acontecimentos em forma de narrativa, as experiências não ganham uma sequência lógica que facilite a recordação no futuro. O que fica guardado são sensações, emoções e aprendizados básicos, e não imagens claras ou histórias completas.
Com o crescimento, o cérebro passa por mudanças intensas, criando novas conexões e reorganizando informações antigas. Nesse processo, muitas experiências iniciais acabam sendo apagadas ou transformadas. As novas memórias, mais estruturadas, acabam ocupando o lugar das antigas.
Por isso, a ausência de lembranças da primeira infância não significa que esse período não foi importante. Pelo contrário, ele influencia profundamente o desenvolvimento emocional, os vínculos afetivos e a forma como a pessoa percebe o mundo, mesmo sem que haja recordações conscientes desse tempo.